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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O que é o Direito?

2 comentários:

  1. Para mim o que é o direito é um conjunto de disciplinas jurídicas e caráter.

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  2. TESE DE MESTRADO NA USP por um PSICÓLOGO





    'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'


    'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'


    Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
    'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
    enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
    sob esse critério, vira mera sombra social.

    Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

    O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
    oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
    constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
    invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
    comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
    percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
    social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
    Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
    R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
    de sua vida:

    'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
    significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
    pesquisador.

    O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
    como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
    passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
    esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
    ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
    diz.
    No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
    garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
    caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
    classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
    se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
    pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
    serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
    grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
    o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
    claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
    refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
    barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
    parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
    'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
    Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
    comigo, a contar piada, brincar.

    O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
    Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
    eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
    andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
    biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
    em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
    trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
    meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
    cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
    não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

    E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
    Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
    situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
    aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
    por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
    passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

    E quando você volta para casa, para seu mundo real?
    Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
    inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito
    que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses
    homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
    deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
    Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são
    tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
    nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.

    *Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!




    Respeito: passe adiante!

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